
A atividade salineira determinou, ao longo de sua existência, a
formação de um tipo de assentamento na região da restinga constituído pelas
moradias dos trabalhadores das salinas, bastante peculiar, caracterizado
fundamentalmente pela dispersão e implantação de nucleamentos de baixa
densidade, em conseqüência do pequeno número de trabalhadores fixos,
cinco por salina.
Esses núcleos se estabeleceram junto às salinas que lhes deram
origem, sendo curioso observá-los ao longo do trajeto da RJ-102, estrada
litorânea que liga Praia Seca, em Saquarema /Araruama, a Arraial do Cabo, através da
restinga da Massambaba.
Em sua maior parte, não se destacam ou se evidenciam na paisagem
como as salinas, cuja visibilidade é acessível ao simples olhar do leito das
estradas e rodovias; para encontrá-los e apreendê-los como um todo, é
necessário adentrar pelo seu interior, e aí sim, percebê-los como parte
integrante do cenário híbrido da restinga e das próprias salinas.
As casinhas se aldeiam em grupos de duas ou três edificações,
contornam ou são contornadas pelos jardins naturais com a flora nativa da
restinga, formando com estes um “grande arranjo natural”. Em pequenos
aglomerados urbanos como o da “salina da Pernambuca”, se enriquecem com
a presença de uma capela em homenagem a padroeira do lugar, Nossa
Senhora da Conceição e um pequeno comércio.
É difícil o acesso de carro a esses lugarejos, pois estão implantados,
na maior parte dos casos, no interior da própria restinga. Parados no tempo,
integrados àquela paisagem, contam muito da estória do local – os traços
físicos que figuram nos rostos e o colorido da pele, dessa “gente das salinas”,
nos falam tanto do europeu quanto do africano, mas nos lembram o tempo
todo de um outro antepassado nosso - os tupinambás.
Nesse mesmo cenário, a intervenção do homem nas margens da
lagoa produziu um sistema de salinas, com um desenho peculiar, a partir de
um recorte geométrico criando um escalonamento contínuo de tanques de
águas rasas, cuja engenharia é assim descrita por Beranger:
"Uma salina compõe-se de valas de infiltração, moinhos de vento,
tanques de condensação ou de carga, evaporadores, cristalizadores, passeios
e armazéns. Os moinhos levam a água da vala aos tanques de condensação -
reservatórios retangulares de 30 X 66 e 30 cm de fundo - concentra a água a
cerca de três graus. Daí aos evaporadores ou marnéis de 13 X 13 m e 15 cm
de fundo, levando a água a cerca de 17 ou 18 graus; quando a água atinge
essa gradação é porque está com a densidade suficiente para dar entrada nos
cristalizadores....É esta a parte mais importante da salina; tem 6,5 X 6,5metros de extensão, feitos de sarrafos de pinho com 5 cm de fundo.
Comunicando-se entre si e com os evaporadores por meio de furos abertos
nos sarrafos. As crostas de sal começam a se precipitar quando as águas
chegam a 23 graus Baumé; a 25 e 26 opera-se a cristalização franca e
regular. Puxados com rodos especiais de madeira o sal é levado aos passeios
e armazéns, onde fica aguardando o período chamado de cura..."33
O método de extração do sal continua inalterado desde o final do
século XIX, preservando-se assim, uma paisagem construída pelo
homem decorrente de uma atividade econômica tradicional e única.
Por sua beleza ímpar, as salinas constituem-se em um marco cultural na
paisagem da Lagoa de Araruama/Saquarema, um verdadeiro cartão postal da região.
Trabalhando o sal
É amor o suor que me sai
Vou viver cantando
O dia tão quente que faz
Homem ver criança
Buscando conchinhas no mar
Trabalho o dia inteiro pra vida de gente levar
Água vira sal lá na salina
Quem diminuiu água do mar?
Água enfrenta o sol lá na salina
Sol que vai queimando até queimar...
Milton Nascimento. Canção do Sal
Referências: http://www.sebraerj.com.br/custom/pdf/cam/sal/09_AsSalinas.pdf
formação de um tipo de assentamento na região da restinga constituído pelas
moradias dos trabalhadores das salinas, bastante peculiar, caracterizado
fundamentalmente pela dispersão e implantação de nucleamentos de baixa
densidade, em conseqüência do pequeno número de trabalhadores fixos,
cinco por salina.
Esses núcleos se estabeleceram junto às salinas que lhes deram
origem, sendo curioso observá-los ao longo do trajeto da RJ-102, estrada
litorânea que liga Praia Seca, em Saquarema /Araruama, a Arraial do Cabo, através da
restinga da Massambaba.
Em sua maior parte, não se destacam ou se evidenciam na paisagem
como as salinas, cuja visibilidade é acessível ao simples olhar do leito das
estradas e rodovias; para encontrá-los e apreendê-los como um todo, é
necessário adentrar pelo seu interior, e aí sim, percebê-los como parte
integrante do cenário híbrido da restinga e das próprias salinas.
As casinhas se aldeiam em grupos de duas ou três edificações,
contornam ou são contornadas pelos jardins naturais com a flora nativa da
restinga, formando com estes um “grande arranjo natural”. Em pequenos
aglomerados urbanos como o da “salina da Pernambuca”, se enriquecem com
a presença de uma capela em homenagem a padroeira do lugar, Nossa
Senhora da Conceição e um pequeno comércio.
É difícil o acesso de carro a esses lugarejos, pois estão implantados,
na maior parte dos casos, no interior da própria restinga. Parados no tempo,
integrados àquela paisagem, contam muito da estória do local – os traços
físicos que figuram nos rostos e o colorido da pele, dessa “gente das salinas”,
nos falam tanto do europeu quanto do africano, mas nos lembram o tempo
todo de um outro antepassado nosso - os tupinambás.
Nesse mesmo cenário, a intervenção do homem nas margens da
lagoa produziu um sistema de salinas, com um desenho peculiar, a partir de
um recorte geométrico criando um escalonamento contínuo de tanques de
águas rasas, cuja engenharia é assim descrita por Beranger:
"Uma salina compõe-se de valas de infiltração, moinhos de vento,
tanques de condensação ou de carga, evaporadores, cristalizadores, passeios
e armazéns. Os moinhos levam a água da vala aos tanques de condensação -
reservatórios retangulares de 30 X 66 e 30 cm de fundo - concentra a água a
cerca de três graus. Daí aos evaporadores ou marnéis de 13 X 13 m e 15 cm
de fundo, levando a água a cerca de 17 ou 18 graus; quando a água atinge
essa gradação é porque está com a densidade suficiente para dar entrada nos
cristalizadores....É esta a parte mais importante da salina; tem 6,5 X 6,5metros de extensão, feitos de sarrafos de pinho com 5 cm de fundo.
Comunicando-se entre si e com os evaporadores por meio de furos abertos
nos sarrafos. As crostas de sal começam a se precipitar quando as águas
chegam a 23 graus Baumé; a 25 e 26 opera-se a cristalização franca e
regular. Puxados com rodos especiais de madeira o sal é levado aos passeios
e armazéns, onde fica aguardando o período chamado de cura..."33
O método de extração do sal continua inalterado desde o final do
século XIX, preservando-se assim, uma paisagem construída pelo
homem decorrente de uma atividade econômica tradicional e única.
Por sua beleza ímpar, as salinas constituem-se em um marco cultural na
paisagem da Lagoa de Araruama/Saquarema, um verdadeiro cartão postal da região.
Trabalhando o sal
É amor o suor que me sai
Vou viver cantando
O dia tão quente que faz
Homem ver criança
Buscando conchinhas no mar
Trabalho o dia inteiro pra vida de gente levar
Água vira sal lá na salina
Quem diminuiu água do mar?
Água enfrenta o sol lá na salina
Sol que vai queimando até queimar...
Milton Nascimento. Canção do Sal
Referências: http://www.sebraerj.com.br/custom/pdf/cam/sal/09_AsSalinas.pdf
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